O processo pelo qual passei no centro Âncora durante esses três meses pode ser descrito como um renascimento, uma nova oportunidade para redescobrir minha própria humanidade, para abraçar minha história com suas feridas, gritos e incompreensões; tudo isso só foi possível com a intervenção de Deus, a ajuda da congregação, das pessoas que fizeram parte do meu processo, dos profissionais excecionais e da família Âncora, que se dedicaram incansavelmente em todos os momentos a cuidar de mim, me ajudar e me proporcionar o melhor para o meu bem-estar.
Estes últimos três meses foram intensos, um período de revisitar minha história, examinar minha dor e limitações e tentar compreender aqueles momentos recorrentes ao longo da minha vida e vocação que me levaram por caminhos de condenação e destruição.
Tem sido um processo que abrangeu todas as dimensões do meu ser, um caminho de revitalização biopsicossocial e espiritual, possibilitado por todas as ferramentas oferecidas pelo centro Âncora.
À medida que avançávamos na terapia, sinais quase imperceptíveis começaram a surgir, levando-nos à raiz do problema. Às vezes, eu me sentia emocionalmente frágil, com dificuldade para lidar com situações sociais. Espiritualmente, também foi um grande esforço redescobrir o sentido do porque Deus me trouxe neste lugar por um motivo. Então, um dia, após várias revisões e revisitação de partes da minha história meu corpo sendo uma expressão do meu eu interior, percebi que estava com muita dificuldade para me concentrar e focar nas minhas atividades diárias. Foi então, com a ajuda da psicóloga Judith e do psiquiatra Dr. Mauricio, que abordamos essa queixa e iniciamos a medicação.
Enquanto também lia sobre transtornos, eu, juntamente com a psicóloga, comecei a identificar e perceber características do TDAH. Aos poucos, tudo ficou mais claro. Meu histórico tinha muitas características semelhantes, e até mesmo episódios recentes de comportamentos excessivos estavam sendo explicados por esse diagnóstico. Então, quase no final de 2025 (mês de dezembro), foi decidido que eu poderia fazer um teste neuropsicológico.
Em janeiro, voltei ao Centro Âncora com o objetivo de fazer o exame que estava pendente.
A situação estava se encaminhando, enquanto eu também lidava com a questão da medicação e seus efeitos colaterais, as sessões terapêuticas e a formação dentro do Ancora, a convivência e o apoio espiritual, tudo isso me sustentando e me ajudando no processo.
Participei de todas as sessões de testes neuropsicológicos no centro de Curitiba. A neuropsicóloga, Fernanda, foi excepcional no atendimento, transmitindo-me muita confiança. Concluímos os testes e, no dia 6 de fevereiro, fui buscar os resultados. Aquele dia mudou minha vida, dando respostas a tantas decepções e me libertando para enxergar a vida com novos olhos. O relatório, extenso e detalhado, reflete o funcionamento do meu cérebro e confirma, por meio do teste, o diagnóstico de TDAH com características predominantemente desatentas.
A partir daí, um novo caminho começa para mim, segurando em minhas mãos a história da minha vida, aceitando minha realidade tal como Deus a deu a mim, banindo tanta culpa e desprezo da minha vida, agradecendo acima de tudo com todo o meu ser a Deus, à minha família e aos meus amigos que, sem conhecerem minha realidade como ela era, me compreenderam, me amaram, cuidaram de mim e fizeram o melhor da minha vida.
Dei um passo enorme, com novos desafios, mas com o coração grato a Deus, que não se esqueceu de mim, que me mostrou a verdadeira realidade da minha vida, permitindo-me recuperar a minha identidade e todas as capacidades necessárias para seguir em frente.
Hoje, 9 de março, ao concluir este processo com a minha fé em Deus, sinto-me incrivelmente feliz, repleto de uma paz imensa, de uma força genuína e da esperança de que tudo pode melhorar a cada dia. Sou imensamente grato a cada pessoa que acolheu a minha história e a sua própria realidade, por me ouvir sem me julgar ou condenar, por todos aqueles que depositaram a sua confiança em mim, mesmo quando eu não a merecia.
Obrigado por serem essa família e essa expressão de amor verdadeiro que só pode vir de Deus. Principalmente com toda a família do Centro Âncora, onde descobri pessoas maravilhosas e valiosas, onde me senti parte de um lar sendo eu mesmo, um lugar onde a gente se sente amado acima de tudo, onde comecei a acreditar em anjos de carne e osso, assim como em samaritanos bondosos, dispostos a amar, é um lugar especial, cheio de gestos de amor vindos de Deus.
“Eu sei que o meu Redentor Vive” Jó 19:25