Depoimentos Ancorinos

Quem fez o processo

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Sou religiosa consagrada há 15 anos. Cheguei ao Centro Âncora em uma profunda escuridão, com ideias e planos suicidas, sem esperança de que algo pudesse mudar. Aceitei fazer o processo para que, depois, não dissessem que eu não havia aceitado ajuda.

RC Religiosa consagrada Religiosa consagrada há 15 anos

Entrei no Âncora com planos de morte e saí cheia de vida

RC Religiosa consagrada Religiosa consagrada há 15 anos

Sou religiosa consagrada há 15 anos. Cheguei ao Centro Âncora em uma profunda escuridão, com ideias e planos suicidas, sem esperança de que algo pudesse mudar. Aceitei fazer o processo para que, depois, não dissessem que eu não havia aceitado ajuda. Na verdade, eu acreditava que isso já não era mais possível, pois fazia tratamento há mais de 10 anos e, nos últimos meses, já não estava reagindo nem com a ajuda dos medicamentos.

Para mim, o sofrimento era tão grande que eu só pensava em como morrer. Não queria causar dor a ninguém, apenas queria que a minha dor passasse. Nas terapias, eu só chorava; nos grupos, não me manifestava. E eu sempre fui comunicativa e educada — os colegas jamais imaginavam como eu estava por dentro. Eu era aquele tipo de pessoa simpática, extrovertida, acolhedora… aquela que, aparentemente, não tinha problema algum. Mas, quando eu não estava na presença de alguém, para me esconder por meio do convívio social, meu mundo desabava.

No primeiro mês, nada em mim havia melhorado. Eu achava que não iria conseguir. O médico, Dr. Maurício, me escutava e analisava meu comportamento, ajustando as medicações — retirando algumas, introduzindo outras — até perceber que elas não estavam sendo absorvidas pelo meu organismo. Isso foi um divisor de águas, uma virada de chave, uma luz.

Há mais de 10 anos, fiz uma cirurgia bariátrica, e o doutor teve essa percepção: eu não respondia mais ao tratamento porque meu estômago não absorvia as medicações adequadamente. Então, passou a prescrever ansiolíticos que fossem absorvidos pela mucosa oral, com a ajuda da saliva. Foi o meu milagre.

O olhar atento do Dr. Maurício, a paciência da psicóloga Ivana, a direção espiritual com o Pe. Cleyton, a atenção da Cris (assistente social) e da Meri (a “advogada” dos ancorinos — brincadeirinha —, secretária do Âncora), os colaboradores da manutenção, que sempre, com respeito, retribuíam com um sorriso mesmo diante do nosso mau humor… As irmãs da Copiosa Redenção, que, enquanto eu dormia, preparavam o café; enquanto eu dava passos no processo, me amavam sem esperar nada em troca. Tiveram fé na minha restauração.

Enfim, cada uma dessas pessoas — e também os ancorinos que fizeram fraternidade comigo — foi instrumento do meu milagre.

Hoje, já em casa e em missão, continuo o acompanhamento com o Dr. Maurício e a Ivana e sinto que nasci de novo. Fui salva. Entrei no Âncora com planos de morte e saí cheia de vida.

Não foi fácil, mas precisei apenas me dar uma chance.

Gostaria de agradecer imensamente, mas, dentro de mim, parece que a gratidão não é suficiente para demonstrar a essa equipe maravilhosa e tão familiar o bem que me fizeram — ou melhor, o que foram na minha vida: um verdadeiro milagre.

Dedico esta partilha a toda a equipe: Ane, Fran, Irmãs da Copiosa Redenção, Cris, Meri, Delair, a moça da lavanderia, a equipe da administração, o jardineiro, o enfermeiro Adir e a enfermeira Alessandra, Débora, as meninas da cozinha, o churrasqueiro (rs) e, de maneira especial e impagável, minha gratidão à Irmã Adenise, pela inspiração de iniciar este trabalho que me devolveu à vida.