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15/08/2022
5 práticas para uma boa saúde psicológica na vida religiosa
Um consagrado é alguém “separado” para o Sagrado, para Deus. Quando alguém faz a oferta de si a Deus está afirmando com sua vida que é todo Dele.
Esse caminho prevê que seu corpo, sua alma e sua mente direcionarão todos os seus esforços em vista de uma missão, de um estilo de vida.
No entanto, um risco que se corre é o descuido consigo mesmo, em especial com a saúde psicológica. São os desafios da missão, as relações fraternas, as exigências consigo mesmo para corresponder à evangelização, a busca pela santidade, a renúncia dos afetos e desejos, tudo isso pode ocasionar uma sobrecarga emocional e psíquica.
Por isso, confira algumas dicas para ajudar você a ter mais saúde e qualidade de vida!
1 – Encontre meios de descontração
A vida religiosa costuma propor uma dinâmica ordinária de oração, apostolado e vida comunitária. Celebração da Missa, Rosário, leitura espiritual, Lectio Divina, atendimentos de oração e confissão, assistência social, educação, formação, busca de donativos, relacionamento com benfeitores.
Porém, em meio a tudo isso, o religioso precisa aprender a descontrair-se, encontrando o que lhe causa prazer. Pode ser a leitura de bons livros, um passeio, a contemplação da natureza, um bom filme, um jogo de tabuleiro, enfim, são muitas as possibilidades.
O importante é que a mente tenha “canos de escape” para extravasar as tensões, canalizar os medos e fortalecer a alegria e o prazer.
2- Discipline-se para o repouso
Parece ser contraditório ou paradoxal utilizar o verbo “disciplinar” para o substantivo “repouso”. Porém, para muitos religiosos é necessário criar uma estrutura de disciplina também para o descanso.
Há uma confusão entre descontrair e descansar o corpo. A descontração favorece o imaginário, a memória, os afetos, as emoções. O repouso, o descanso físico, proporciona bem-estar e qualidade de vida, interferindo fortemente na boa saúde psicológica.
Muitos, ao fim do dia, passam horas nas redes sociais “descontraindo”, ao invés de dormir um pouco mais e descansar a mente e o corpo. Além dos malefícios do uso das telas para boa qualidade de sono, a falta de disciplina em dormir em um horário para acordar em outro que proporcione uma janela de sono satisfatória compromete a saúde.
Portanto, é necessário que se estabeleça uma rotina de sono que o religioso durma em média de 7 a 8 horas, como orienta a Fundação Nacional do Sono.
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3 – Não se descuide da alimentação
Uma alimentação balanceada, rica em nutrientes, com uma vasta opção de frutas, legumes e vegetais, possibilita boa qualidade de saúde física e psicológica. Já os industrializados, ou uma rotina de alimentos ricos em carboidratos e açúcares comprometem o bom desempenho metabólico.
Por isso, é indispensável que as comunidades religiosas ofereçam uma alimentação planejada e ajustada às demandas de cada religioso.
4 – Fortaleça a vida de oração
Sim, é comprovado pela ciência e pelos mais de 2 mil anos de história da vida consagrada na Igreja que a vida de oração é indispensável para a saúde psicológica.
É diante de Deus que o ser humano se coloca com sua verdade e seus medos. Por isso, o religioso não pode se descuidar dos seus compromissos espirituais, de uma vida espiritual autêntica e profunda, aos moldes do Carisma ao qual foi chamado.
É vivendo na intimidade de cada morada, como ensina a Mestra espiritual Santa Teresa de Jesus, que os religiosos encontram o jugo suave e o peso leve do qual Jesus fala nos Evangelhos.
5 – Peça ajuda profissional, se necessário
Algo que precisa sair do imaginário dos religiosos é o preconceito com o acompanhamento profissional em vista do psicológico. Ainda há muitos superiores ou mesmo irmãos e membros de Ordens que não lidam bem com a possibilidade de exposição das suas dores e angústias com um profissional.
No entanto, para a boa saúde psicológica é importante a escolha de bons terapeutas e psiquiatras que orientem, mediquem, quando necessário, e compreendam a vida e a escolha dos religiosos. Por isso, a Congregação para vida consagrada prevê que os superiores escolham bons profissionais, alinhados com a fé e com o espírito da vida consagrada.
Conclusão
Se o religioso está sempre atento aos sinais do seu corpo e da sua mente, cria uma rotina que proporciona tempos de oração, descanso e trabalho, provavelmente encontrará realização e sentido de vida.
Foi pensando em você, que tem dedicado sua vida em servir e cuidar dos outros, que preparamos estas 5 práticas para serem inseridas no seu projeto de vida pessoal, urgentemente. Leia, reflita, aprofunde-se e faça o firme propósito de vivenciá-las.
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